Brasileirão: Inter 1 x 1 Ponte Preta - Crônica


O futebol tem certas ironias que o melhor e mais sensato é não tentar explicar, pois, no final, as conclusões serão vagas - mesmo com longa e exaustiva análise. É o caso do técnico Celso Roth. Após encontrar um esboço de time, muda tudo. A situação piora e quando resolve voltar atrás - por livre e espontânea pressão da torcida - é demitido.

Foi o que ocorreu neste jogo contra a Ponte Preta. Ao ouvir mais de 30 mil vozes implorando a entrada de Seijas, resolveu ceder. O jogador voltou a atuar após longo hiato. O banco de reservas não o desmotivou, que foi para o jogo disposto a ajudar. Mas não teria como mudar a história em poucos minutos. A vitória se constrói desde o apito inicial, até abrir certa vantagem que não trará maiores problemas. Mas no Inter de Roth não é assim que funciona. Ao marcar um gol, o time para de jogar, chamar o adversário até sofrer o empate. O emocional fala mais alto e é quase impossível reverter a situação.

E pensar que foram 10 dias de preparação para a chamada "final" contra a Ponte Preta. Nunca tinha visto um time jogar uma "final" com tamanha desmotivação e desorganização. Erros primários e inaceitáveis que sempre se repetem. Valdívia marcou o gol, mas depois não acertou um cruzamento, as cobranças de escanteio foram ridículas... O que fizeram em 10 dias de treino e preparação ? ¿ ?

O mais revoltante é ver e ouvir a declaração de Paulão ao final de mais uma pífia atuação. Disse ele que o importante é somar pontos e o Inter somou. É muita burrice e incompetência para uma pessoa só. Primeiro: Com o empate soma 1 Pontos. Pontos (plural) só com a vitória. Isso contra o adversário mais fraco (vitória = obrigação) entre as partidas restantes. Parece que esse senhor não sabe que o time que ele joga está no Z4 as vésperas de terminar a competição. Parece que ninguém avisou, explicou ou desenhou, para que entenda. Segundo: Disse ainda que vão continuar trabalhando. O melhor seria parar de "trabalhar" e ir para bem longe do Beira Rio.

Sem contar a sua incapacidade de acertar um passe ou fazer um lançamento. É só chutão, que a sorte ajuda uma entre mil. Era esse o "jogador" que estava armando as jogadas na hora da pressão final. Quer dizer: Sem armação e sem jogadas. Só chutão e bola para a Ponte Preta. E no gol sofrido este "senhor" que deveria estar marcando o jogador mais alto do adversário, estava "marcando" Anselmo e pensando na "super-lua" de segunda passada. Jogador livre e sozinho para marcar e afundar o Inter. Só falcão conseguiu fazer com que Paulão do chutão fosse apenas zagueiro. Não durou 5 minutos e teve a recaída...

Falando nos momentos de pressão ao fim do jogo, lembro de ver em campo um amontoado de jogadores, sem organização e sem saber o que fazer. Nico López volta de lesão e entra na fogueira. Aylon machucado, vai ao jogo com uma toca de natação. Atacantes deslocados, armadores fora de lugar e Paulão armando as jogadas. Nunca o Inter chegaria ao empate. Eram três jogadores ocupando o mesmo espaço, sem a mínima organização ofensiva.

As duas finais, contra Santa Cruz e Ponte Preta, terminaram em empates medíocres. Agora bate o desespero e Fernando Carvalho tem que dar o braço a torcer e demite seu protegido Celso Roth. Não vislumbro outros meios de afundar ainda mais o Inter. Espero que daqui algum tempo possamos saber por que querem "detonar" o Internacional.

O nome da vez é Lisca. O novo técnico tem a missão de salvar o Inter nestes 3 jogos restantes. Conhecendo seu perfil, não é de estranhar que tenha aceito tão árdua empreitada. Que o doido e louco - por futebol, segundo ele - contagie os jogadores com seu jeito e possa trabalhar sem interferência da direção. Ele que já salvou outros times, em ocasiões quase semelhantes, sabe o tamanho do desafio, ainda mais que nas outras oportunidades a pressão era menor e os clubes também. Nada que desmereça seus feitos, mas, anteriormente, teve mais tempo para trabalhar. Agora, o que não tem é tempo.

Em caso de insucesso, nada será culpa sua. Por outro lado poderá fazer história e nome, nessa difícil missão. Corinthians que tem sede de vingança (2007). Cruzeiro do rejeitado técnico e Fluminense, que briga por vaga na Libertadores. Não é fácil, mas está longe de ser impossível. Que o novo técnico conte com a sorte, além de sua tradicional competência. Quem sabe se tivesse assumido na ocasião de Roth ou Falcão, não estaríamos nas bordas do grupo pré-libertadores...

Saudações Coloradas.


Brasileirão: Inter 1 x 1 Ponte Preta - Crônica Brasileirão: Inter 1 x 1 Ponte Preta - Crônica Reviewed by #BrunoRodrigues on 11:50:00 Rating: 5

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